segunda-feira, 1 de junho de 2009

O meu bairro , a minha rua

Considerações históricas
Os Olivais pela sua posição próxima de Lisboa, com uma situação paisagística excepcional, desfrutando da orientação nascente da encosta e de magníficas vistas sobre o rio, a par da fertilidade do solo, vocacionou-se no passado para actividades agrícolas e pecuárias e para o lazer de privilegiadas famílias lisboetas.
Restam hoje como testemunhos as Quintas da Fonte do Anjo e do Contador-Mor como testemunhos significativos dessa grandeza.

Actualmente, na Freguesia dos Olivais, todos estes padrões coexistem: uma frente ribeirinha, portuária, um povoamento expontâneo, outros planificados, uma zona industrial e um aeroporto internacional.
A preocupação de fornecer aos habitantes dos Olivais um ambiente urbano de qualidade com a inclusão da presença de uma componente artística levou a que fossem escolhidos os mais prestigiados e experientes projectistas de edifícios de habitação.
Da aplicação destes princípios resulta uma estrutura urbana e uma paisagem únicas em Lisboa: sobre um manto relvado, quase contínuo, os blocos e torres, as duas formas de edifícios que o Movimento Moderno inventou, dispõem-se isolados, permitindo que a escola primária surja entre eles rodeada de verdes e que as funções vivificadoras da vida urbana, o comércio, os serviços, e o equipamento edificado de convívio se concentrem no centro cívico.
As vias de circulação automóvel e os passeios separam-se e o acesso aos edifícios de habitação faz-se por impasses, impedindo atravessamentos do interior das zonas que se exigem tranquilas.
Os edifícios procuram o Sol porque à sua organização exterior assim o é exigido.

Os Olivais encarnam a primeira aplicação urbana, em larga escala, dos princípios da Carta de Atenas : ar, sol, verdura. (A Carta, que trata da chamada Cidade Funcional, prega a separação das áreas residenciais, de lazer e de trabalho, propondo, no lugar do caráter e da densidade das cidades tradicionais, uma cidade-jardim, na qual os edifícios se localizam em áreas verdes pouco densas. Tais preceitos influenciaram o desenvolvimento das cidades européias após a Segunda Guerra Mundial e a criação do Plano Piloto de Brasília por Lúcio Costa).

A cargo do GTH(Gabitete Técnico da Habitação),o projecto deste bairro tendo este sido criado como serviço municipal há 50 anos, subsistiu até 1990 e contribuiu de forma inovadora para a expansão urbanística da cidade de Lisboa e para o acesso à habitação de muitas famílias. Foi um verdadeiro laboratório, através de operações de grande escala, inéditas no quadro nacional.

A intervenção maciça de arquitectos e outros técnicos no maior conjunto de habitação social até então planeado, foi uma escola de projecto colectivo e multi-disciplinar. Actuou inicialmente nas zonas definidas pelo Decreto-Lei n.º 42.454 de 1959 – Olivais Norte, Olivais Sul e Chelas –
, visando resolver a crise habitacional em Lisboa.
Alguns aspectos relevantes dos processos lançados pelo GTH foram:
- Representação fidedigna dos princípios da Carta de Atenas (Olivais Norte), como em poucos casos na Europa;
- Intervenção da arquitectura paisagística;- Pioneira integração de arte pública em habitação social (Olivais)

Nos anos 50 vivia-se intensamente o apelo, então em voga, da integração das três artes: arquitectura, pintura e escultura. Sucedeu que, logo nas primeiras obras, fossem encontradas condições para as levar à prática de forma exuberante».

Para além das modalidades tradicionais, como o mosaico e o azulejo, os relevos em pedra e a calçada a preto-e-branco, explorou-se em larga escala as paredes em betão nu – nessa altura uma novidade.

João Lopes Segurado,Jorge Vieira,António Pinto Freitas, Lima de Freitas, Rogério Ribeiro , António Lino , Fernando Conduto, Maria Keil Jorge Vieira , António Charrua , Vasco Pereira da Conceição , António Alfredo , António Branco de Paiva , Querubim Lapa , Relogio ,Nuno Portas entre outros são nomes notáveis dos artistas plásticos, que colaboraram neste grande projecto deixando na arte urbana uma galeria de arte pública onde se podem ver um conjunto de obras de arte de grande qualidade e de diferentes expressões, técnicas e tendências estéticas.

Os projectos desenvolvidos destacaram-se pela intervenção da arquitectura paisagística, pela integração na arte pública na habitação social, no caso dos Olivais, e na aposta do espaço público como princípio do desenho urbano , encontram-se como figuras destacadas do urbanismo e da arquitectura portuguesa, os arquitectos ,Nuno Portas e António Pinto de Freitas José Rafael Botelho, Nuno Teotónio Pereira, Bartolomeu da Costa Cabral, Álvaro Dentinho, Manuel Tainha, Duarte Castel-Branco, Francisco Silva Dias, Nuno Portas, António Reis Cabrita, Raúl Hestnes Ferreira, Tomás Taveira, Luís Vassalo Rosa, Carlos Duarte e Gonçalo Byrne ou os engenheiros Aquilino Ribeiro Machado, Jorge de Carvalho Mesquita, Ruy Poole da Costa e José Rumina Dinis, entre muitos outros.
Um factor exógeno ao desenvolvimento da freguesia dos Olivais e que tem vindo a ter alguma importância na sua evolução, e que marcará por certo a sua história, foi a realização em 1998 da Exposição Internacional, integrada na Programação das Comemorações das Descobertas Portuguesas, cujo tema foi “ O Mar e os Oceanos “.
A realização deste certame, permitiu a criação de um parque ribeirinho na Zona Oriental de Lisboa de dimensões e características únicas no nosso país.

É neste bairro que eu moro.

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